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sábado, 28 de setembro de 2013

Desde quando sou ateu?


Compartilharei hoje, algo de minha infância, pois acredito não ter sido o único a ter essa experiência ruim. Acredito que as maiorias dos ateus ou agnósticos já tenham passado pelo mesmo e que isso foi um ponto importante para descobrirmos o quanto somos diferentes dos demais!

Infelizmente nossa sociedade esta condicionada a sempre nos empurrar para alguma religião durante nossa infância. E a religião na qual será doutrinada é um fator que depende da cultura do local onde a criança nasceu. Eu não fugi a regra, pois nasci e fui criado numa família de "tradição" evangélica. Por isso, fui obrigado a passar por rituais religiosos como batismo...

Meus pais já sabiam que eu não gostava de ir à igreja e que também não queria fazer nenhuma cerimônia. Mas eles foram muito autoritários nesse caso e exigiram que eu os fizesse, mesmo contra minha vontade. Eu me lembro de como minha mãe me deixava com medo todas as vezes que me perguntava se eu acreditava em deus. Meu medo era tanto que dizia que sim, eu acreditava, mas era de uma forma diferente. Mentia pra ela e para mim mesmo, para evitar o constrangimento de ter que ouvir sermões.

Lembro-me de alguns fatos ocorridos durante a "escola dominical", enquanto aprendíamos alguma passagem nova da bíblia, eu fazia algumas perguntas que com certeza deixavam a "professora" de saia justa. Uma vez estávamos numa aula sobre a origem de tudo onde líamos as passagens do Gênesis. A professora ficou chocada quando eu ironicamente a questionei se ela realmente acreditava que nós havíamos nascido do barro.. Esse tipo de pergunta junto com outras que eu me questionava levaram ela a me pedir que as guardasse, pois poderiam atrapalhar as outras crianças…

Lembro-me também de uma vez ter levado a minha primeira calculadora (que na época era um item raro), pra igreja, pois eu tinha o intuito de calcular os números que eles tanto falavam da bíblia, e eu estava curioso... O resultado disso, foi ter minha querida calculadora esmagada sob os pés raivosos de minha mãe, pois eu não tinha o direito de "tentar ser deus e saber seus preceitos"... De outra vez, um dito "pastor" iria na minha casa, e na hora que o "tal" chegou, eu na "sabedoria" dos meus 5 ou 6 anos de idade, fiz o que toda criança faz: Trouxe meus brinquedos (era lego, se bem me lembro) para a sala e fui brincar, alheio ao que se passava, até que meus pais, o tal pastor (que eu nem me lembro quem era), e seus dois acompanhantes (acho que era a esposa e mais um "obreiro"), resolveram fazer uma "oração", eu que estava lá brincando nem percebi que eles estavam fazendo uma "oração" e continuei brincando, após isso os visitantes que lá estavam se levantaram e foram embora, quando minha mãe volta, o que acontece é simplesmente bizarro: Ela pisa em todos os meus brinquedos, grita comigo e simplesmente diz: "Você só pode estar com o demônio, por que ficou brincando na frente de um homem santo? Por que não orou com a gente? Você está com o demônio!", eu fiquei assustado e no fundo não estava entendendo nada, aí pra piorar, meu pai veio e me bateu com o cinto pelo mesmo motivo... E até hoje não entendo o que fiz de errado... Claro que existiram casos muito piores após isso, mas contar tudo não é o intuito desta matéria, então, continuemos...

As expressões assustadas de meus pais e da "professora" sobre eu questioná-los sobre coisas tão simples, mas que eram ofensas por serem questões que colocam em duvida a crença deles, sempre me preocuparam. Porque não posso questionar? Qual o problema de saber, por exemplo, que existem respostas mais racionais para esses assuntos, sem precisar de mitologia? Por que se irritam tanto com um simples questionamento?

O problema era simples, não pise em minhas crenças ou pegue leve quando for falar de religião. Pois ela deve ser respeitada por todos, mesmo você não acreditando! Isso sempre é repetido e ensinado desde criança e vem aumentando cada vez mais um “escudo” que protege a fé de outras pessoas e faz qualquer duvida levantada sobre ela como sendo uma ofensa pessoal.


E esse comportamento que se ensina o de respeitar a fé dos outros e não questioná-la é o que vem, em minha opinião, deixando nossa sociedade cada vez mais burra. Esse respeito exagerado chega a ser ridículo a certo ponto de considerarmos alguém que é contra e manifestar sua posição contra relacionamento homossexual baseado numa bíblia normal, mas uma simples critica sobre essa mesma religião não ter provas nenhuma da existência desse deus ou da veracidade de suas escrituras é considerado um insulto. Imagine então dizer a um deles que você não acredita em nada do que eles dizem?

Cansei e hoje não uso mais tantos filtros como antigamente quando converso com os demais sobre religião. Acredito que a religião nunca morrerá enquanto não superarmos nosso medo da morte, do escuro, do desconhecido e dos outros.


Conforme Christopher Hitchens disse no seu livro “Deus não é grande“, acredito que há uma diferença entre mim e meus amigos religiosos, e os meus amigos de verdade serão capazes de admitir essa diferença. Eu ficaria contente de frequentar um batizado de seus filhos, uma primeira eucaristia ou um casamento (embora no fundo, eu não goste de casamentos por motivos pessoais). Ficaria encantado com suas enormes catedrais e “respeitaria” sua crença num livro ditado numa linguagem antiga e traduzida em diversos idiomas com contradições e versões completamente distorcidas. E continuaria fazendo isso na intenção de que eles me deixassem em paz. Mas isso a religião se mostra ser incapaz de fazer. Enquanto eu escrevo esta matéria e enquanto você a lê, pessoas de fé estão, de suas diferentes formas, planejando a sua e a minha destruição, e a destruição de todas as difíceis conquistas da ciência e do conhecimento... E você? Vai deixar isso acontencer?


E quando me perguntam desde quando sou ateu, simplesmente respondo: Desde que eu nasci!